Para o Sporting Clube de Portugal 2012/2013 está a ser uma época desastrosa. Apesar de ainda faltarem algumas jornadas para o fim, já quatro treinadores passaram pelo banco de Alvalade e vários jogadores que começaram a época no clube já o abandonaram. Chegou ao ponto de enfrentar uma equipa nesta segunda volta do campeonato e, ao comparar com o jogo da primeira volta contra a mesma equipa, repetir apenas dois jogadores no onze inicial, tal como aconteceu quando foi ao estádio AXA defrontar o Sporting de Braga. Mais importante do que isso, o clube encontra-se mergulhado numa crise financeira há já vários anos que se vai agudizando, tendo admitidamente ordenados em atraso na sua equipa principal, um problema de tão difícil resolução que se viu obrigado a ter de vender Van Wolfswinkel a um preço que, não sendo de saldo, não passa de razoável, numa altura onde ainda estamos longe da próxima janela de transferências. O argumento utilizado para justificar tal venda foi de que o pagamento, recebido agora, serve para pagar mais um mês. Pelo meio ainda houve uma direcção demissionária e eleições rodeadas de alguns debates ferozes. Tudo isto só pode causar uma enorme instabilidade desportiva com o resultado imediato de fazer o clube viver a sua pior época da história.
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| Gelson, Elias, Xandão, Pranjic e Insúa antes de saírem em Janeiro |
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| Eric Dier tem sido o mais utilizado dos jovens lançados esta época |
Deste grupo, o inglês Dier é o que mais me tem impressionado, principalmente quando colocado a defesa central, sua posição de origem. Penso que está aqui um bom jogador, com um futuro muito promissor. Zézinho e Bruma também já mostraram ter potencial e Ilori continua a ser uma grande incógnita pois tem as características para ser um bom central mas, mesmo a acumular jogos a titular, está a demorar a mostrar qualidade. Vi pouco de Pedro Mendes, João Mário e Fokobo e quanto a Esgaio e Betinho simplesmente não me impressionaram. Assim, olhando para este conjunto de miúdos, não vejo ninguém com a qualidade que um Cristiano Ronaldo apresentava na mesma idade. Indo um pouco mais longe, tenho dificuldade em ver alguém que pareça ter a qualidade de um Nani, um Ricardo Quaresma ou um João Moutinho aquando do seu lançamento na equipa principal leonina. Aqui reside o maior problema da aposta na formação. Nem todas as gerações são grandes gerações e um Cristiano Ronaldo não aparece todos os anos, no entanto, sem esta aposta contínua, provavelmente nem teria aparecido ou não seria o jogador que é hoje. Sendo realista, não me parece que seja esta a geração que vai salvar o Sporting mas pode ser que seja esta a geração que abrirá o caminho a outros talentos.
Estes miúdos representam a esperança de recuperação do Sporting, desportiva e, a médio prazo, financeira mas representam também um regresso a uma identidade perdida desde a saída de Paulo Bento, o ultimo treinador a apostar verdadeiramente no produto da formação sportinguista. E isto é algo de grande importância. Desde esse tempo que o Sporting não tinha uma estratégia definida a não ser o desejo de querer ganhar o mais depressa possível. Para isso apostava na contratação de uma grande quantidade de jogadores, muitos deles vindos de clubes de maior dimensão, com ordenados altos e qualidade duvidosa, causando o aumento da crise financeira o que também agudizava a crise desportiva. Os jogadores, após épocas decepcionantes, acabavam por sair desvalorizados, saindo e nem sequer providenciando retorno financeiro. Estava instalado um ciclo vicioso. Assim, o regresso da aposta em miúdos da formação parece-me algo natural, principalmente para um clube que já o tinha experimentado com bastante sucesso. Se o clube conseguir perceber que pode juntar estes miúdos a jogadores que vão despontando noutros clubes ditos mais pequenos do campeonato, pode fazer uma equipa interessante e ajustada à sua realidade financeira, lançando as bases para uma recuperação que terá de ser sempre encarada a longo prazo. O Sporting vai acabar por agradecer este “regresso dos putos” e a Selecção Nacional também.




Nem mais. Mas vão ter que fazer algo diferente da "época de ouro de academia": vão ter que conseguir OU resultados desportivos E/OU resultados financeiros com esses jogadores. Porque da primeira vez limitaram-se a ajudar a criar futuros campeões... do Porto, Benfica, Real Madrid, Manchester United, etc...
ResponderEliminarEm "casa", leia-se, no Sporting, ficou muito pouco dinheiro e ainda menos títulos.
Concordo.
ResponderEliminarNão basta lançar miúdos em série, há que conseguir segurá-los quando começam a chamar a atenção de forma a que sejam vendidos mais tarde e pelo máximo dinheiro possível. Acho que esse problema será ainda maior agora pois os compradores sabem da delicada condição financeira do clube e oferecem menos do que há uns anos atrás. Hoje em dia, dificilmente conseguirá vender jogadores por mais de uma dezena de milhões de euros como fez com Nani, Moutinho ou Ronaldo e dificilmente conseguirá manter os melhores por tempo suficiente para que consiga ganhar títulos. Têm mesmo de começar a fazer algo diferente mas sem titulos, sem presença constante na montra da Champions e sem capacidade para oferecer ordenados suficientemente interessantes para as suas estrelas, não será fácil.
Abraço