segunda-feira, 11 de março de 2013

Mourinho numa semana

Old Trafford. A 30 segundos do fim da segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões que opunha o Real Madrid à equipa da casa, o Manchester United, José Mourinho abandona o banco da sua equipa e dirige-se para o balneário. Caminha sozinho, sem grande alarido e tentando ignorar os adeptos do clube adversário que o tentam cumprimentar enquanto se dirige para o balneário. Foi o culminar de uma semana decisiva para a temporada da sua equipa onde conseguiu derrotar, mesmo que temporariamente, as forças que desde o inicio atribulado da época o tentam derrubar. 
Mourinho caminha para o balneário pouco antes do fim do jogo
É um facto que, desde que chegou a Madrid, José Mourinho criou diversos anticorpos com as mais variadas forças do futebol espanhol. Em pouco tempo, não afrontou apenas os rivais mas também alguns adeptos e, principalmente, a imprensa ligada ao merengues, habituada a ter poder a mais dentro da "casa blanca". A sua estratégia de comunicação, baseada em atrair as atenções para si e libertar o mais que pode a sua equipa da pressão que naturalmente a rodeia é propensa a empolar essa situação. Ao longo de duas temporadas, Mourinho foi ganhando e cultivando uma quase invulnerabilidade mas nesta temporada, tudo mudou. Com o falhanço que a campanha para a revalidação do título se tem mostrado desde cedo, a imprensa espanhola sentiu que esta era a época em que punham o treinador português naquele que consideram ser o seu sítio e se vingaria da forma como foi tratada e afastada por Mourinho desde que este chegou ao colosso espanhol. Chegara o momento de pedir definitivamente a cabeça do treinador.
O caso não era para menos. Ao Real Madrid, afastado da revalidação do título de campeão espanhol, restava a luta pela conquista da Taça del Rei e da décima Liga dos Campeões da sua história. Como que por um acaso do destino, para as duas competições, aos merengues saiu em sorte o Barcelona e o Manchester United, aparentemente as mais difíceis equipas que lhe poderiam ter tocado no sorteio desta fase. A imprensa sentiu isso mas Mourinho também o percebeu e, ao seu estilo, ao invés de olhar para a imensa fatalidade que estas duas eliminatórias poderiam trazer encarou-as como a grande oportunidade de calar quem pede a sua demissão. Quis o destino que os jogos decisivos fossem marcados com uma semana de intervalo e com um jogo do campeonato pelo meio, exactamente contra o grande rival, o Barcelona, jogo esse que mesmo tendo pouco impacto para as contas do campeonato espanhol, teria uma carga emocional que tinha tudo para ser um grande acrescento de lenha para uma fogueira que parecia estar já incontrolável.

Imprensa espanhola sempre impiedosa com Mourinho
O Real começou a tal semana numa terça-feira, ao ganhar de forma retumbante em Camp Nou por 3 a 1, causando a eliminação do Barcelona da Taça del Rei e acabou-a, na quarta-feira seguinte, a ganhar em pleno "Teatro dos Sonhos" de Manchester, colocando o United local fora da corrida para a conquista da Champions. Pelo meio, ainda ganhou o tal jogo do campeonato, utilizando um misto de jogadores titulares e de suplentes, contra a equipa titular dos catalães, aumentando assim, a intensidade da resposta dada. O Real Madrid venceu estes jogos importantes e, mais do que isso, ganhou uma nova tranquilidade para enfrentar o que falta da época. Mas o que sobressai mais é que Mourinho calou os críticos. Parece ser inevitável que saia no final da época mas é uma certeza que, depois desta semana, já não caberá na porta pequena do Santiago Bernabéu. E até poderá vir a sair pela maior porta do estádio, com uma Champions na mão.
Mourinho carimba a vitoria frente à imprensa em Old Trafford
Foi, sem dúvida, uma semana especial, ao estilo de um treinador que não se cansa de mostrar que é o mais especial do mundo do futebol. Mourinho é mesmo o Special One.

2 comentários:

  1. Excelente artigo. Não pude deixar de pensar que parece um "negativo" do que foi a semana azul e branca...

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  2. Olá, António.

    Tirando a guerra com a imprensa, praticamente inexistente no caso de Vitor Pereira, tens toda a razão. O FCP caiu da Champions sem glória e hipotecou as hipóteses de revalidar o título, tudo numa semana. É algo que deve ser bem analisado pela executivo da torre das Antas.

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